quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sobre o Paul Krugman, no original, a página do próprio, defendendo que Obama aprenda com o New Deal (recursos públicos para a ativação da economia)

Op-Ed Columnist

Franklin Delano Obama?

Published: November 10, 2008

Suddenly, everything old is New Deal again. Reagan is out; F.D.R. is in. Still, how much guidance does the Roosevelt era really offer for today’s world?

Readers' Comments

"It's time for "sustainable capitalism," where the bottom line balances financial success and a long term view of ... a just society's needs. "
Kent, Bozeman

The answer is, a lot. But Barack Obama should learn from F.D.R.’s failures as well as from his achievements: the truth is that the New Deal wasn’t as successful in the short run as it was in the long run. And the reason for F.D.R.’s limited short-run success, which almost undid his whole program, was the fact that his economic policies were too cautious.

About the New Deal’s long-run achievements: the institutions F.D.R. built have proved both durable and essential. Indeed, those institutions remain the bedrock of our nation’s economic stability. Imagine how much worse the financial crisis would be if the New Deal hadn’t insured most bank deposits. Imagine how insecure older Americans would feel right now if Republicans had managed to dismantle Social Security.

Can Mr. Obama achieve something comparable? Rahm Emanuel, Mr. Obama’s new chief of staff, has declared that “you don’t ever want a crisis to go to waste.” Progressives hope that the Obama administration, like the New Deal, will respond to the current economic and financial crisis by creating institutions, especially a universal health care system, that will change the shape of American society for generations to come.

But the new administration should try not to emulate a less successful aspect of the New Deal: its inadequate response to the Great Depression itself.

Now, there’s a whole intellectual industry, mainly operating out of right-wing think tanks, devoted to propagating the idea that F.D.R. actually made the Depression worse. So it’s important to know that most of what you hear along those lines is based on deliberate misrepresentation of the facts. The New Deal brought real relief to most Americans.

That said, F.D.R. did not, in fact, manage to engineer a full economic recovery during his first two terms. This failure is often cited as evidence against Keynesian economics, which says that increased public spending can get a stalled economy moving. But the definitive study of fiscal policy in the ’30s, by the M.I.T. economist E. Cary Brown, reached a very different conclusion: fiscal stimulus was unsuccessful “not because it does not work, but because it was not tried.”

This may seem hard to believe. The New Deal famously placed millions of Americans on the public payroll via the Works Progress Administration and the Civilian Conservation Corps. To this day we drive on W.P.A.-built roads and send our children to W.P.A.-built schools. Didn’t all these public works amount to a major fiscal stimulus?

Well, it wasn’t as major as you might think. The effects of federal public works spending were largely offset by other factors, notably a large tax increase, enacted by Herbert Hoover, whose full effects weren’t felt until his successor took office. Also, expansionary policy at the federal level was undercut by spending cuts and tax increases at the state and local level.

And F.D.R. wasn’t just reluctant to pursue an all-out fiscal expansion — he was eager to return to conservative budget principles. That eagerness almost destroyed his legacy. After winning a smashing election victory in 1936, the Roosevelt administration cut spending and raised taxes, precipitating an economic relapse that drove the unemployment rate back into double digits and led to a major defeat in the 1938 midterm elections.

What saved the economy, and the New Deal, was the enormous public works project known as World War II, which finally provided a fiscal stimulus adequate to the economy’s needs.

This history offers important lessons for the incoming administration.

The political lesson is that economic missteps can quickly undermine an electoral mandate. Democrats won big last week — but they won even bigger in 1936, only to see their gains evaporate after the recession of 1937-38. Americans don’t expect instant economic results from the incoming administration, but they do expect results, and Democrats’ euphoria will be short-lived if they don’t deliver an economic recovery.

The economic lesson is the importance of doing enough. F.D.R. thought he was being prudent by reining in his spending plans; in reality, he was taking big risks with the economy and with his legacy. My advice to the Obama people is to figure out how much help they think the economy needs, then add 50 percent. It’s much better, in a depressed economy, to err on the side of too much stimulus than on the side of too little.

In short, Mr. Obama’s chances of leading a new New Deal depend largely on whether his short-run economic plans are sufficiently bold. Progressives can only hope that he has the necessary audacity.

Acompanhe a seqüência de horrores - material extraído do Luiz Nassif

Do Estadão

Gravação isenta juiz de briga com STF

Felipe Recondo

A gravação integral das três horas de reunião da Polícia Federal após a Operação Satiagraha revela que o juiz Fausto Martin De Sanctis não quis afrontar o Supremo Tribunal Federal (STF) ao mandar prender pela segunda vez o banqueiro Daniel Dantas. Ao contrário, a decretação da prisão preventiva, tomada como um desrespeito pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, foi resultado de uma verdadeira operação de guerra montada por agentes da PF na tentativa de convencer De Sanctis de que havia provas suficientes contra Dantas. (...)


O vazador de informações

O deputado Raul Jungmann entregou hoje "oficialmente" (a expressão é do STF) a fita com o áudio da tal reunião do Protógenes ao Gilmar Mendes. Onde Jungmann conseguiu o áudio (juntado num processo sigiloso), se o requerimento nesse sentido, que não é dele, ainda depende de aprovação pela CPI?

Na TV Globo, em Brasília, há um evidente mal estar entre os repórteres, pelo fato de estarem comendo na mão de Jungmann. Como, em televisão, o repórter não tem muitas fontes - já que as fontes são acertadas pela produção, seguindo as pautas - vários deles estão procurando jornalistas isentos, que cobrem o setor, solicitando mais nomes para poderem consultar.

A mídia está quase se dando conta de que já virou o fio, que está se desmoralizando perante o público, que está criando o maior racha com a opinião pública na história contemporânea do jornalismo. Está quase se dando conta, mas ainda não caiu de todo a ficha de que o desgaste da Globo com as diretas, nos anos 80, é café pequeno, perto do que está ocorrendo nesse momento.

A manutenção de fontes abaixo de qualquer suspeita, como o deputado Raul Jungmann, apenas aprofundará esse fosso. Os repórteres estão tendo mais respeito pelas empresas do que as próprias chefias.

Hoje tem marmelada?

Da Folha Online

Defesa de Dantas pede novo depoimento de Protógenes e adia fim de processo

THIAGO FARIA

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, pediu nesta quarta-feira ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, o acesso à gravação da reunião na superintendência da Polícia Federal, que decidiu pelo afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha.

O pedido da defesa de Dantas adiou, assim, o fim do processo contra o banqueiro na 6ª Vara Criminal, que poderia acontecer hoje com a entrega das alegações finais por parte dos acusados.

Para Machado, o conteúdo da reunião influencia diretamente no desenrolar do processo contra seu cliente, acusado de corrupção.

Comentário

É até monótono, de tão previsível. Alguém ligado a Dantas vaza o áudio - no caso, Raul Jungmann. Veja, militante, e Globo, diletante, repercurtem. Com interpretações incorretas sobre o conteúdo para "esquentá-lo". E os advogados de Daniel Dantas se valem das matérias para postergar a sentença.

Surpresa: ninguém percebeu nada! Só a blogosfera inteira, mais as torcidas do Flamengo e do Corinthians.

Comentário 2

Foi barriga da Folha. Não houve adiamento coisa nenhum, segundo acabo de ser informado. Houve a audiência, os advogados entregaram as alegações finais, assim como o Ministério Público. O juiz De Santis tem, dez dias para dar a sentença. O que os advogados de Dantas fizeram foi um requerimento, solicitando esse novo interrogatório do Protógenes. O juiz poderá conceder ou não.



O Paulo que não era Lacerda

Do Globo no dia 15

Na conversa com seus chefes, o delegado deixa claro que o então diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Lacerda, ex-dirigente da Polícia Federal e exchefe de Protógenes Queiroz, teve participação direta e ativa na condução do inquérito até a etapa final, a fase de prisões de suspeitos.

No dia das prisões, por exemplo, Lacerda trabalhou na sede paulista da Polícia Federal.

Ele orientou o delegado até em detalhes como não comparecer ao prédio da polícia na véspera das prisões, para evitar suspeitas e eventual vazamento de informações.

Um dos chefes de Protógenes Queiroz não escondia a surpresa. E indagou a respeito de uma informação divulgada pela revista “Veja” sobre a parceria de espionagem entre a Polícia Federal e a Abin: — Tinha agentes da Abin trabalhando conosco? — quis saber o delegado Roberto Ciciliati Troncon Filho, diretor de Combate ao Crime Organizado.

Comentário

O jornal recebeu o material editado das mãos do deputado Raul Jungman.

O "Paulo" que aparece nas gravações não é Paulo Lacerda, mas Paulo de Tarso Teixeira, diretor de Combate a Crimes Financeiros da PF, com que Protógenes teve discussões muito duras, e a quem se negou a passar detalhes da Satiagraha por medo de ocorrer vazamentos.

O Globo soube ontem da barriga, mas optou pelo silêncio.

Com a íntegra da gravação, cai por terra a versão de que Protógenes teria admitido grampo no Supremo. Aguardam-se as devidas correções.

Por Raphael Nascimento

Nassif,

acabei de entrar na internet e não sei se alguém já citou o que vou falar.

Ontem escutei todos os 3 trechos divulgados no blog no Noblat. Na primeiro áudio, percebe-se claramente um corte no trecho entre 44:43 e 44:45. No terceiro áudio, dá pra ver também que houve corte no trecho entre 36:52 e 36:54.

Quem quiser é só conferir.

Concluindo, ainda não temos o áudio completo da reunião nem um mísero segundo do áudio do grampo no STF.

O Jungman está desempenhando um papel deplorável.





As bobagens do Correio nosso de cada dia

Depois de publicar o inflamado elogio de DEMOCRATA ao local, Rondon Pacheco, a coluna de Ivan Santos, Jornal O Correio, sai com mais uma de arrasa quarteirão. Entendam que não é implicância minha. O negócio é que Uberlândia tem mais de 600 mil habitantes, há um bom contingente de cabeças pensantes, uma faculdade de economia com mestrado e doutorado. Espera-se, com um mínimo de dignidade, que o Jornal de maior circulação faça jus ao espírito da cidade. Pois bem, ao comentar (comentar?) a crise econômica, o jornalista sugere, com base em PAUL KRUGMAN, que o Estado corte gastos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ordem às coisas:
1. Não tenho conhecimento de que Krugman, economista famoso, nobel, tenha sugerido tal coisa. Ao contrário, Krugman é notadamente um neokeynesiano. De onde teria saído a idéia de que Krugman sugere o corte de gastos??? É tão imbecil a informação (informação?) que parece infantil.
2. Em momentos de recessão, espera-se comportamente anticiclíco do Estado, ou seja, que ele gaste para evitar o despencar da atividade econômica.
SOCORRO!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Extraído da Carta Capital

O delegado federal Protógenes Queiroz virou uma celebridade. Afastado da Operação Satiagraha, o policial percorre o Brasil fazendo palestras sobre o combate à corrupção, enquanto se prepara para terminar um curso de especialização na Academia de Polícia, em Brasília. Apenas em outubro, Queiroz esteve em mais de dez fóruns de debate, em faculdades, assembléias legislativas e câmaras municipais, onde, invariavelmente, fala para audiências lotadas. O delegado é reconhecido nas ruas, é paparicado por cidadãos, mas paga um preço alto por ter batido de frente contra grupos poderosos da República.

Queiroz diz ser constantemente seguido, suspeita de estar permanentemente grampeado e alega receber ameaças de morte pelo telefone. Um filho pequeno está sob tratamento psicológico, porque acorda, no meio da noite, gritando pelo pai. Ele mesmo teve de se tratar para curar uma gagueira nervosa, resultado dos dias tensos, antes e depois da operação, responsável pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, em 8 de julho. Uma semana depois, Queiroz foi lançado no ostracismo pela atual direção da PF e tem poucas esperanças de poder voltar a fazer o que mais gosta, investigar corruptos. Ainda assim, crê na condenação de Dantas e na depuração da imprensa brasileira, uma instituição, segundo ele, contaminada pelo poder corruptor do banqueiro baiano. “Tudo tem um preço, mas não reclamo, é o meu trabalho”, diz.

CartaCapital: O senhor acha que, ao convocar agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a Operação Satiagraha, acabou fragilizando a investigação contra Daniel Dantas?
Protógenes Queiroz:
O ingresso dos agentes da Abin e oficiais de inteligência foi uma solicitação minha em razão de uma deficiência de pessoal na Operação Satiagraha, da própria Polícia Federal naquele momento. O comando central da PF, a todo o tempo, tentava destruir o trabalho, e não me deu suporte de recursos humanos, de pessoal.

CC: O senhor está se referindo ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa?
PQ:
Não dá para identificar se era o Luiz Fernando ou o Daniel Lorenz (diretor de Inteligência da PF, a quem ele é subordinado), não sei de onde vinha o poder de obstrução. Eu solicitava, evidentemente, ao meu superior hierárquico, o diretor de Inteligência, e a coisa era difícil, amarrada. Num primeiro momento, eu entendi que era em razão de uma transição administrativa (saída do diretor-geral Paulo Lacerda, alçado à Abin, e a entrada de Corrêa), dentro de uma normalidade. Depois eu fui percebendo que não. Era uma situação orquestrada, para paralisar o trabalho, para que aquilo não desse certo.

CC: O senhor estava preparado para a missão?
PQ:
Eu tinha um grande volume de dados sobre o Daniel Dantas, desde quando estourou a Operação Chacal (de 2004), quando comecei a acompanhar o caso. Então, eu já tinha estudado o Grupo Opportunity e o Daniel Dantas, três anos antes. Eu sabia do poder do Dantas, da capilaridade que ele tinha nos órgãos federais. Então, perguntei ao doutor Paulo (Lacerda) se ele ficaria como diretor-geral da PF até o final do governo Lula. Ele quis saber o porquê, e eu disse que, se ele não fosse ficar, o caso iria parar. Ele me disse que tinha um compromisso do presidente Lula de que iria ficar como diretor-geral até o fim do governo dele. Então, me senti mais tranqüilo, senão, eu não aceitaria. Sabia que iria enfrentar problemas com a eventual saída dele.

CC: Que problemas o senhor enfrentou?
PQ:
Quando o doutor Paulo saiu (em agosto de 2007), repentinamente, todos ficamos assustados. Passados 30 dias, começaram a surgir as dificuldades, e elas foram cada vez mais se agravando. Chegou a ponto de, em janeiro e fevereiro deste ano, eu ter apenas um policial para cumprir a análise de 1,3 mil ligações telefônicas e mais de 6 mil e-mails por dia. Então, como é que iria analisar o material? Aí eu resolvi, como parte do Sistema Brasileiro de Inteligência, ativar colegas da Abin.

CC: O senhor acha que o Paulo Lacerda saiu da PF por causa deste caso?
PQ:
Não sei, há um conjunto de coisas a serem analisadas. Sei que isso é um caso muito pesado. O Dantas conseguiu penetrar e levar muita gente para dentro do lodo financeiro que ele montou, de fraudes, praticamente desde o governo Fernando Henrique Cardoso até o do presidente Lula, inclusive alguns partidos políticos.

CC: O uso de servidores da Abin foi legal?
PQ:
Solicitei aos colegas ajuda com base no que a lei permite. E qual lei? Está aqui (pega uma pasta preta de couro, retira um papel e lê em voz alta): “Decreto 4.476, de 13 de setembro de 2002, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência, instituído pela Lei 9.883, de 1999”. Então, tem um parágrafo aqui muito claro: “O Sistema Brasileiro é responsável pelo processo de obtenção e análise de dados, pela produção e difusão de conhecimento necessário ao processo decisório do Poder Executivo, em especial no tocante à segurança da sociedade”. Isso é coleta de dados que essas pessoas (os agentes) fazem na rua, por meio de máquina fotográfica, filmadora, ou até mesmo vigilância visual. Também coletas de dados em fontes abertas, coleta de dados para complemento de análise de outros dados. Eles podem fazer isso, a lei permite. Fazem parte do Sistema o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Polícia Rodoviária Federal e a Coordenação de Inteligência (atual DIP) da Polícia Federal. E eu sou integrante da DIP.

CC: O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI dos Grampos e ex-delegado da PF, bate na tecla de que Paulo Lacerda não pode voltar a dirigir a Abin (ele foi afastado sob a acusação de ter participado de um grampo ilegal no STF) também por ter cedido mais de 50 agentes ao senhor.
PQ:
Não trabalhei com 50 o tempo todo. Quem passou essa informação para a imprensa passou de forma deturpada. Foram 50? Bota os 50 na minha frente e pergunta se eles me conhecem. Vão falar que não, garanto. Eu fazia pedido por demandas. Por exemplo, eu queria uma vigilância em São Paulo, a Abin mandava quatro pessoas, e a cada 15 dias as equipes se revezavam. Eu até reclamava, porque a cada revezamento tinha que explicar novamente os detalhes da operação. Mas era uma rotina deles, eu estava recebendo a ajuda, não iria questionar. Então, não havia 50 funcionários trabalhando o tempo todo, diuturnamente.

CC: Quantos servidores da Abin participaram da Satiagraha?
PQ:
Eram dez, ao todo. Eu tinha dois em Brasília, quatro em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro. E foi uma dificuldade, porque eles não atendiam a todas as demandas solicitadas, que eram muitas.

CC: O seu chefe direto na DIP, o delegado Daniel Lorenz, sabia sobre essa solicitação de pessoal junto à Abin?
PQ:
Sim, sabia. Na primeira semana em que dois colegas da Abin apareceram na PF, ele logo identificou um deles, com quem tinha feito um curso de antiterrorismo. Mesmo assim, ele me chamou e me criticou por ter colocado o agente dentro da minha sala, que ficava em frente à dele. Eu expliquei que eram pessoas que estavam me ajudando porque havia necessidade. Aí ele ficou um pouco preocupado, porque percebeu que eu estava suprindo aquela necessidade. Ele teria que ter me elogiado, porque eu estava superando um obstáculo. Passei a ficar mais atento.

CC: Não havia alvos demais na Satiagraha?
PQ:
Havia sentido em investigar todas aquelas pessoas. E em pedir as prisões. O Pitta (Celso, ex-prefeito de São Paulo), investigado em outros casos, acabou aparecendo também neste.

CC: Por que o senhor se preocupou, especificamente, em investigar a participação de gente da imprensa no esquema criminoso de Daniel Dantas?
PQ:
Eu sabia que, a partir da execução da Operação Satiagraha, viriam notícias para proteger o bandido. Por isso resolvi abrir um capítulo no meu relatório sobre o papel da mídia na investigação. Então, há vários jornalistas comprometidos com Daniel Dantas, de forma direta e indireta. Se eu não colocasse isso no papel, seria pior. Coloquei justamente para a própria imprensa ter a decência de discutir o processo sob o plano da ética e da moral. Hoje, a imprensa já encontrou o seu caminho. Alguns jornais passaram a discutir isso internamente, que eu sei, fui informado. O furo de reportagem é válido, mas nem sempre o timing da imprensa é o timing da polícia. Se puder conciliar as duas coisas, magnífico. Mas na maioria das vezes não é possível, e o prejuízo para a sociedade e para o País é muito grande.

CC: Havia mesmo uma espécie de “Sistema Dantas de Comunicação”, como apelidou o jornalista Paulo Henrique Amorim?
PQ:
Havia, sim, em quase todos os jornais e revistas daqui e até no exterior. Eu me espantei, fiquei assustado, porque era uma coisa que eu jamais poderia imaginar, que uma pessoa teria o poder de manipular a mídia do Brasil. Levei logo o assunto ao conhecimento do procurador (Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal de São Paulo) e ao juiz (Fausto De Sanctis, da Justiça Federal de São Paulo). Aquilo me causou uma repulsa muito grande e, no decorrer da investigação, isso foi se aprofundando a tal ponto que eu percebi que grandes veículos de comunicação estavam nas mãos do Dantas. Não as empresas todas, mas determinados jornalistas que fabricavam matérias para facilitar os negócios de Dantas, no presente e no futuro. Isso era uma coisa diária, a relação dele com esses jornalistas. Quando o interroguei, até disse a ele que ele seria mais feliz se comprasse um jornal ou uma rede de televisão, porque, como banqueiro, ele não é uma pessoa feliz.

CC: Nesse mesmo interrogatório, é procedente a informação de que Daniel Dantas ameaçou contar tudo o que sabia?
PQ:
É verdade, sim. Ele colocava isso em tom de ameaça, para que aquela declaração vazasse e as pessoas se amedrontassem, como se amedrontaram. Depois, na CPI, ele mentiu, disse que eu iria investigar o filho do Lula. Até porque o filho do presidente não aparece na investigação, e, mesmo que aparecesse, não falaria isso com ele.

CC: Caso não tivesse havido o vazamento pela Folha de S.Paulo, a Satiagraha teria sido deflagrada quando? PQ: Ainda estaria em andamento. Minha perspectiva era a de deflagrar a Satiagraha depois das eleições municipais de 2008. Ela seria muito mais rica, mais consistente e o País ganharia mais.

CC: Recentemente, o professor Hugo Chicaroni, acusado de tentar corromper um delegado da Satiagraha em nome de Dantas, mudou o depoimento na Justiça e disse ter sido procurado pelo senhor com um pedido de propina. O senhor chegou a procurá-lo?
PQ:
Nunca procurei o Chicaroni, isso foi Daniel Dantas que criou por meio da imprensa. No depoimento do Chicaroni, quando fui ouvido como testemunha, ele fez questão de dizer, na frente do juiz Fausto De Sanctis, que jamais tinha me procurado, que eu era um delegado honesto, acima de qualquer suspeita, que eu era incorruptível, e que por isso jamais me faria uma proposta dessas. Isto está nos autos. Ele prestou um depoimento na Polícia Federal nesse sentido, mas depois mudou o que disse judicialmente, porque foi cooptado. Mas o que ele fala na Justiça agora não se sustenta, contrapõe-se a todas as provas que temos de uma ação controlada (um delegado da PF aceitou ser subornado, com autorização do juiz, para flagrar os criminosos), por si só, uma prova irrefutável. A ação controlada foi uma maneira de reverter o prejuízo causado pelo vazamento da operação.

CC: O senhor tinha noção de que acabaria sendo afastado da investigação?
PQ:
Eu tinha consciência de que viria um poder avassalador contra mim e contra a minha equipe, contra as pessoas ligadas a mim. O meu afastamento já estava planejado, assim como está planejado o afastamento do juiz De Sanctis e do procurador De Grandis.

CC: O senhor ainda pode voltar a participar do inquérito?
PQ:
Isso é uma hipótese muito remota. O meu desejo é voltar para a Polícia Federal e voltar a investigar. Mas não sei se vou ter espaço para isso, porque tenho plena certeza de que, nesta atual administração da PF, isso será muito difícil de acontecer. Mas sou servidor público, tenho de voltar. Por enquanto, continuo lotado na Diretoria de Inteligência.

CC: Depois do vazamento na Folha de S.Paulo, o senhor escolheu o dia 8 de julho para deflagrar a Satiagraha por alguma razão específica?
PQ:
Deflagrei naquele momento porque a pressão dos advogados de Dantas era muito forte, eles impetraram habeas corpus, uns atrás dos outros. Colocaram séqüitos de advogados nos fóruns de São Paulo e de Brasília, além de muita gente do governo no circuito.

CC: O fato de o senhor ter interceptado uma ligação do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh para o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, trouxe-lhe algum constrangimento no governo?
PQ:
O que foi interceptado foi o telefone do bandido, mas, se o chefe de gabinete ligou para o bandido, a Polícia Federal não tem culpa. Como é que vou impedir um negócio desses? Se eu tentar impedir, vou estar praticando um crime.

CC: Qual o futuro da Operação Satiagraha?
PQ:
A operação, pelo que sei, segue num ritmo lento, com muita dificuldade operacional. Mas houve duas ações importantes que foram praticadas pelo Ministério Público Federal, os bloqueios de recursos do Dantas. Mas faço votos de que os colegas que hoje estão à frente da investigação a concluam o mais brevemente possível para dar uma satisfação à sociedade. O País vai exigir o resultado. E Daniel Dantas vai ser condenado, uma condenação pesada, porque conheço o doutor Fausto, conheço a capacidade técnica dele e o conhecimento que ele tem do caso. Sei que ele vai dar uma sentença à altura do que a sociedade está esperando.

CC: O que o senhor achou da tentativa de incluir a Satiagraha, o seu nome e o do delegado Paulo Lacerda nessa história do suposto grampo feito no STF?
PQ:
Foi uma situação prematura, onde se deu credibilidade a uma falsa notícia de uma revista comprometida com Daniel Dantas. A revista fabricou um escândalo envolvendo duas pessoas importantes da República, o presidente do Supremo Federal e um senador, Demóstenes Torres (DEM-GO). Mas o que mais me espantou foi o fato de essas duas figuras, Mendes e Torres, terem dado credibilidade a essa mentira, a uma reportagem montada. Cadê o áudio? Desde o primeiro momento eu perguntei isso. Até para um leigo foi possível perceber que aquilo ali era uma coisa inidônea. Ainda mais para dois profissionais do Direito (o senador Torres foi procurador-geral de Justiça de Goiás).

CC: O que o senhor acha da atuação do deputado Marcelo Itagiba na CPI dos Grampos?
PQ:
Olha, é uma CPI para investigar grampos clandestinos em nível nacional. Mas o foco da CPI agora é o caso Daniel Dantas. E o caso Daniel Dantas não teve interceptação clandestina. A Operação Satiagraha só teve interceptações autorizadas judicialmente. Ele tinha que chamar todo o grupo do Opportunity para a CPI, porque o Dantas está denunciado por grampo clandestino, por conta da Operação Chacal. Tinha que chamar também os diretores da Kroll para dar esclarecimento. Mas ele chama quem investigou o Dantas. Mas a sociedade percebe. Hoje, neste assunto, não tem analfabeto no País

domingo, 9 de novembro de 2008

Obamania

Devagar, devagar. A revolução Obamaniana precisa de mais precisas informações:

1. Quem cuidará do tesouro? Se for Paul Volcker, estamos fritos!

2. Iraque, Afeganistão? O que será?

3. Quem ditará a política externa para a América Latina? Continuarão os trogloditas refugiados cubanos de Miami?

democrataaaaahhhhhh

Domingo passado a coluna do jornalista Ivan Santos (que não é o Ivan, o terrível), Jornal o Correio de Uberlândia, aproximou-se do ridículo com a mais estapafúrdia opinião, jamais igualada, sobre democracia. Numa laudatória puxa-saco coluna, Ivan sustenta que o famoso Rondon Pacheco É UM DEMOCRATA!!! O feito democrático: na reunião do AI-5, 1969, Rondon teria se insurgido contra a decretação do Estado de sítio. Ah bom, que pendor democrático. É de democratas assim que precisamos. Gente que não aceita a decretação do Estado de Sítio. Bom, o resto do AI-5 é detalhe, já que o nosso ousado democrata estava voltado a outras questões. Aliás, é de se perguntar o que um democrata puro sangue fazia na reunião ministerial que discutia o AI-5, como integrante da cúpula ditatorial???? É de dar medo o que alguns escrevem (será que escrevem??).

África - de todos os fogos o fogo

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Uma Explicação da África



A África é sempre um tema popular entre meus alunos, que com freqüência me pedem para indicar algum livro que possa servir como introdução ao estudo do continente. Tinha minhas obras de preferência, que recomendava segundo os assuntos favoritos dos estudantes – por exemplo, se queriam pesquisar sobre colonialismo ou conflitos étnicos. Com o lançamento de “A África Explicada aos meus Filhos”, de Alberto Costa e Silva, finalmente encontrei um livro que serve para todos os interessados.

Costa e Silva é um diplomata brasileiro aposentado que foi embaixador na Nigéria e serviu em diversas missões no continente. Certa vez o entrevistei numa Bienal e ele me narrou sua viagem através da África durante o auge da descolonização da região. Nos anos 1990 e 2000, Costa e Silva escreveu livros magistrais que o tornaram, sem qualquer exagero, um dos mais destacados especialistas mundiais sobre os temas africanos. Obras como “A Enxada e a Lança: a África antes dos portugueses”, os ensaios de “Um Rio Chamado Atlântico” e “Das Mãos do Oleiro”, suas memórias de juventude em “Invenção do Desenho” e a biografia do bem-sucedido traficante de escravos Francisco Félix de Souza, um baiano que se estabeleceu na África, pioneiro sombrio das transnacionais brasileiras.

O novo livro é parte de uma coleção da Editora Agir na qual profissionais renomados escrevem introduções aos temas dos quais são conhecedores. Entre os lançamentos, também me deram água na boca o de Bárbara Heliodora sobre teatro, e de Nei Lopes a respeito do racismo. São curtos, com cerca de 150 páginas, e narrados como conversas, com os autores respondendo às perguntas de um interlocutor imaginário.

Costa e Silva apresenta a África integrada às grandes correntes da história e da economia mundial, mostrando como desde a Antigüidade o continente se inseriu nas rotas comerciais dos negociantes muçulmanos, das caravanas que cruzavam o Saara. Mesmo antes de os portugueses contornarem o Cabo da Boa Esperança, no fim do século XV, os europeus já comerciavam em grande escala com os africanos, interessados principalmente no ouro que vinha dos impérios do Mali e de Gana.

Infelizmente, a descoberta e colonização das Américas acabou inserindo a África num perverso sistema de economia do Atlântico, e o resultado foi a escravização de mais de 10 milhões de seus cidadãos. Costa e Silva é um erudito das diversos sistemas escravistas que existiam na região e mostra como a integração no projeto dos impérios europeus revolucionou essas relações de dominação, despovoando áreas inteiras e eliminando diversos povos.

O caso mais impressionante é o do Reino do Congo, que chegou a negociar de igual para igual com o Portugal e ensaiou uma ambiciosa modernização, mas caiu numa armadilha mortal: para importar os produtos que os europeus ofereciam, seu único produto de exportação rentável eram escravos, o que transformou sua economia e sociedade em máquina de guerra e espoliação, inviabilizando a reforma.



Contudo, a tendência dos historiadores atuais têm sido a de ressaltar o quanto o colonialismo europeu na África foi, de fato, uma realidade bastante breve, de cerca de 50 ou 60 anos. Costa e Silva ressalta que até meados do século XIX, a presença européia estava limitada a poucas feitorias e fortalezas no litoral. O que mudou o quadro foram as pressões da revolução industrial por matérias-primas, as rivalidades imperialistas européias (acima, na visão bem-humorada de Eddie Lizzard) e as novas tecnologias militares, em especial rifles e metralhadoras.

Há pouco sobre a África pós-independência, o que é pena, porque valeria ler a versão impressa das palestras de Costa e Silva sobre os conflitos entre cidade e campo – basicamente, em como as elites urbanas africanas prejudicaram a economia impondo impostos altos ao setor agrícola, para tentar modernizar seus países (a tese clássica de Robert Bates). E como essas disputas se vinculam às rivalidades entre os grandes grupos étnicos.

Aliás, este sítio compartilha a alegria dos amigos da Casa de Luanda, que está entre os finalistas do prêmio da Deutsche Welle de melhor blog do mundo! É o único em língua portuguesa, distinção justíssima para o casal de jovens e brilhantes profissionais de desenvolvimento que tocam a Casa. Na torcida por eles!
3 comentários